Maria da Conceição Cabrita, a São para quase todos e “a professora São” para os muito alunos que a tiveram como professora na escola secundária, nasceu em Vila Real de Santo Anto António, mais concretamente na cama da Avó Valentina, em casa da Tia Rosa, ali em plena Rua Cândido dos Reis, corria o ano de 1967.

Quando em miúda lhe perguntavam o que queria ser quando fosse grande, ela abria aqueles grandes e expressivos olhos azuis e não hesitava: “missionária”. Para quê? “Para dar aulas em África aos meninos que não sabem ler”, respondia de imediato, mostrando logo aquele seu jeito de querer ajudar quem mais precisa.

Em meados dos anos 80, tal como muitas outras raparigas da sua idade, vai até Lisboa para fazer a faculdade. Licencia-se em Geologia Económica Aplicada na Faculdade de Ciências e inicia a sua vida profissional, por um acaso, no ensino, ainda no último ano do curso, quando começa a dar aulas em Cascais.

Tomou-lhe o gosto, pelos vistos… A partir daí, já de regresso ao Algarve, o ensino não deixa de fazer parte da vida da São Cabrita, tendo sido colocada em várias escolas da região, de barlavento a sotavento, até que ingressa no quadro do grupo de Geologia e Biologia, no Agrupamento de Escolas de Vila Real de Santo António, ocupando várias cargos diretivos durante os anos em que leccionou.

Ainda que sempre se tivesse interessado pela política, o convite que Luís Gomes lhe fez em 2005 para integrar a sua equipa candidata à Câmara Municipal não a deixou indiferente: “Nunca tal me tinha passado pela cabeça, mas o projeto que o Luís me apresentou era de tal maneira ambicioso que eu não poderia recusar, até porque estava na hora de Vila Real de Santo António sair do marasmo e encontrar um caminho”, recorda.

Quando, ao ser eleita vereadora, suspendeu as suas funções como professora e como dirigente da delegação da Cruz Vermelha, pensou que o faria apenas por quatro anos. Mas tal não aconteceu: “Para mim fazer política não é a intriga e as guerras de bastidores de que certos políticos tanto gostam. Para mim é servir, é encontrar as soluções para resolver os problemas das pessoas, é não defraudar a confiança que as pessoas depositam em nós quando votam. Por isso eu não podia deixar as coisas a meio”, justifica.

Essa foi uma das razões para que no início deste ano, aceitasse o repto que muitos dos seus conterrâneos lhe lançaram, o de candidatar-se à presidência da Câmara de Vila Real de Santo António. Porque “apesar do muito trabalho que fizemos nestes 12 anos, ainda há muito para fazer para continuar a transformar Vila Real de Santo António e não podemos deixar que tudo o que foi feito caia na mão de quem não possui uma única ideia ou projeto e para quem a política se reduz a dizer mal dos adversários”. E também, confessa em jeito de pergunta, quem não tem a ambição de ser presidente da Câmara da terra que a viu nascer?

 


Música: Peri Nogueira